Caixa aberta reúne um conjunto de obras recentes, entre vídeo, fotografia, escultura e desenho : superfícies desdobradas, objectos abertos e instrumentos de corte.
Se antes não sabíamos
que partilhamos as superfícies do mundo,
sabemo-lo agora.
A superfície que uma pessoa toca
carrega o traço dessa pessoa,
hospeda e transfere esse traço,
e afecta a próxima pessoa
cujo toque aí pousa.
Algo humano e viral perdura,
breve ou demoradamente, nessa superfície
que constitui um dos componentes materiais
do nosso mundo comum.
“Traços humanos nas superfícies do mundo”, Judith Butler.
Quando a dobra é exterior,
a superfície protege,
(como os cantos desta bacia)
esconde ou cobre um objecto,
(como sobre um corpo morto).
Quando a dobra é interior,
a superfície
(como a própria bacia no pátio,
ou os copos deste bar)
acolhe o objecto e o seu brilho,
e expõe-no, como um embrulho,
um presente que abrimos.
Texto do vídeo “estudo#2” projectado na exposição, Miguel António Domingues.
Agradecimentos: à Alexandra Lucas Coelho, ao Vicente Cusin Dolgener, à Sara Morais, Diana Barbosa Gil, ao Tiago Pereira, à Sónia Sousa, Lia Mei e Uriel Orlow.
Miguel António Domingues [*1982 - Lisboa, Portugal] .
Formado na Académie Royale de Beaux Arts de Bruxelas (2002/2008) e na HfBK-Dresden, Alemanha (2010/12), como bolseiro do programa DAAD.
Expõe desde 2006 na Bélgica, Alemanha, Áustria e Portugal, onde vive. O seu trabalho cruza elementos do desenho, da escultura, da fotografia e da instalação, e participou em diversas exposições individuais e coletivas, das quais se destacam as mais recentes : “O futuro começa lá atrás”
(Panóptico do antigo hospital psiquiátrico Miguel Bombarda-
Lisboa, 2025), “Um gesto, todos os desenhos” (Centro de
Artes de Águeda, 2024), “linhatravelâmina” (Galeria Brisa- Lisboa 2024), “Falastin” (Frame colective - Lisboa, 2024),
“Zonas de transição” (Cordoaria nacional - Lisboa, 2023), “Paisagem e sustentabilidade” (Fundação Santader - Lisboa, 2023), “Onions” (Ve.sch Kunstverein- Viena, 2022), “Konkret KONKRET?” (gesellschaft für konkrete kunst- Bona, 2021).
Em 2023, foi-lhe atribuído o Prémio de Arte da Fundação Santander (Lisboa). A sua obra integra a coleção de Arte PLMJ (Portugal), da Städtische Galerie - Emschertal Museum (Alemanha) e outras colecções privadas na Europa.