14 Março até 11 abril
Carolina Lino
Rosto Mão Coração
Exposições
Espaço Triângulo
I
Estamos na clareira. Fomos expelidos. É noite e há muita luz. Somos uma unidade de luz, imensa e múltipla. Corpos que se fundem.
II
Estamos na floresta, que nos abriu caminho. Amanheceu e separámo-nos. Temos agora de caminhar. Deixamos de estar em nós, passamos a estar em eu. Perdemo-nos, procuramo-nos. O texto procura, pelo papel, pela página, pelo seu grão, a imagem — o rosto na mão. Ela pulsa, mas não se sabe. A clareira não se pode ver quando queremos.
III
Encontramos uma fresta, um rasgo. A noite vislumbra-se. A noite inunda tudo, porque nos inunda no fundo. Somos, continuamente, eu e outro. Feridos por esse desajuste permanente. A fresta da noite mostra-nos a clareira invisível – aquela, a primeira. Ela ainda está comigo, connosco.
[Nós ainda estamos] Na clareira. No coração.
Bio:
Carolina Lino (1996, Lisboa). Mestre em Pintura (2025) e pós-graduada em Discursos da Fotografia Contemporânea (2019) pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, pela qual é licenciada em Pintura (2018). Estudou Artes Plásticas, entre 2019 e 2022, na Akademie der Bildenden Künste em Munique, Alemanha. Participou na Lens Art Residency, Lisboa (2023) e no Projeto Artístico e de Investigação “Ruínas”, Associação Luzlinar, Fundão (2018-2019). Individualmente, expôs “O incêndio invisível”, Gamut, Lisboa (2023) e “um beijo dado pelo sol”, Egeu, Lisboa (2020). Das exposições coletivas destacam-se “Change of Season”, Procurarte, Lisboa (2025); “But Dearer Still is Truth”, Galeria Plato, Évora (2023); “Depois do Banquete”, Teatro Thalia, Lisboa (2022); “Onde me Torno Silêncio”, LxLapa, Lisboa (2021), “Mina”, MUHNAC, Lisboa (2019) e "Details sind immer vulgär”, AdBK, Munique (2018).