PELOS ANOS FORA
Gosto de números redondos: 44 desde a primeira exposição e quase 70 anos de vida.
Escolhi a Galeria Diferença para celebrar as artes e a vida nesta longa história que me une a este espaço.
Partilho este reencontro inspirada nos frescos de Pompeia e Miróbriga, em igrejas medievais e mais vestígios de pigmentos e traços sobre paredes húmidas.
Neste espaço branco que os quadros ocupam, por sua vez enquadrados de branco, procuro recriar com várias técnicas de recortes de pintura, papéis japoneses, colas e colagens, um
longo percurso de experimentação, que tenho desenvolvido pelos anos fora.
Não há muito mais a contar; se eu soubesse escrever, ”não pintava”;. Há uma arte para tudo e convém concentrarmo-nos nas que procuramos melhorar. O meu papel tem sido sempre
fazer da profissão um assunto sério, sem facilidades nem preguiças.
E hoje neste espaço branco, quero que observem a vida transformada em pintura.
Catarina Castel-Branco
18 Março, 2026
A exposição Vestígios de Catarina Castel-Branco, reúne 14 obras que são a produção mais recente da Artista.
Nascida em Abrantes em 1956, estudou na Escola António Arroio em Lisboa e licenciou-se em pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.
Entre 1987 e 1990 estudou na Academia Gerrit Rietveld em Amsterdam, com uma bolsa atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian, para uma pós-graduação em técnicas de gravura e serigrafia.
Estudou mais um ano no Grafish Atelier, com uma bolsa atribuída pelo governo holandês.
Como conta Catarina, o processo de realização dos trabalhos agora apresentados, teve início em diversas visitas que, ao longo dos últimos tempos, a Artista fez a diferentes monumentos e
locais arqueológicos, tendo verificado a existência de segmentos de superfícies onde ainda são visíveis, de entre as ruínas, os restos de fachadas, paredes e muros, arcos e aberturas.
Dessas construções em ruínas sobressaem superfícies brancas que vão, pontualmente, desvendando formas arquitectónicas, elementos da natureza, plantas e animais, isolados ou organizados em composições que se desenvolvem em cercaduras ou molduras, em faixas ou bandas.
São testemunhos, o que resistiu ao tempo, de escolhas, gostos, vivências. São as marcas, os vestígios que denunciam vidas passadas.
Transpostos para a superfície plana dos suportes são linhas que se organizam e orientam a composição em planos que se sobrepõem, intercetam e fundem. São silhuetas de animais,
cavalos, aves que ilustram, com as suas formas lineares, essas vivências. São registos gráficos, abstractos, são letras, isoladas ou com significados.
Aqui os suportes são evidenciados, trazidos para primeiro plano e, com processos elaborados de sobreposições de colagens e resinas acrílicas sobre papéis sensibilizados, são realçados e
fixados criando como que uma terceira dimensão.
Numa paleta de cores essencialmente terra que se articulam com os brancos, e onde sobressaem linhas negras, despontam notas de azul e vermelho que surgem como que vestígios de um fazer sempre contínuo.
Maria José Moniz Pereira
21 Março, 2026
Catarina Castel-Branco, nasceu em Abrantes, em 1956. Diplomada pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e pela Academia Gerrit Rietveld de Amsterdam (1987-89), foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian (1984) e, enquanto gravadora no Amsterdams Grafisch Atelier, bolseira do Governo Holandês (1989). A convite de instituições nacionais e internacionais, realizou trinta e cinco exposições individuais de gravura, pintura e desenho, e participou em mais de sessenta exposições coletivas. Em 1987, ganhou o Prémio da Exposição Nacional de Gravura, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Cooperativa Gravura e, em 1990, o Prémio de Edição na II Bienal de Gravura na Amadora. Foi ilustradora convidada do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian, bem como do Festival Internacional de Música do Algarve e do Festival Internacional de Música de Sintra. Em 2004, foi convidada pela Fundação Árpád Szenes - Vieira da Silva a representar Portugal no 37o Prémio Internacional de Arte Contemporânea de Monte Carlo. Criou o cenário da peça Três passagens para Moscovo, estreada no Centro Cultural de Belém (1994). A sua obra está representada em diversas coleções públicas e particulares, nomeadamente no Museu de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), Coleção da Fundação PLMJ (Lisboa), Museu Municipal Martins Correia (Golegã), Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes (Mirandela), Clube Lisboa 50 (Lisboa), e em inúmeras coleções particulares em Portugal, Espanha, França, Itália, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, EUA, México e Japão