20 Maio até 20 Junho

Manuel Falcão

Um piano

Exposições

Espaço Quadrado

Madeira, cordas, teclas, martelos, pedais. Um piano é feito disto. São 88 teclas que fazem os martelos bater
nas cordas e assim produzir o som que se transforma em música pelas mãos do pianista. O som do piano
tem um apelo único e saber tocá-lo dá trabalho, exige estudo e persistência, seja qual for o género de música escolhida, da popular à erudita. Mas o piano tem outra característica: a música que sai das suas teclas vive entre os espaços de vazio, traduzido no silêncio que faz a ponte entre as notas, com diversas cadências, intensidade e ritmos. Creio que é no dosear do silêncio que se entende o virtuosismo do pianista. São as suas mãos, o movimento dos seus dedos, a intensidade com que tocam as teclas que fazem nascer a música. Estas fotografias são o retrato de um piano e das mãos que o põem a tocar. Nasceram a pensar imagens no meio de leituras de Jorge de Sena e Rainer Maria Rilke. “A música é só música, eu sei. Não há outros termos em que falar dela a não ser que ela mesmo seja menos que si mesma”, escrevia Sena. E Rilke perguntava: “Que estás a tocar, rapaz? O que tocas atravessou jardins com muitos passos, o que o ciciar ordenou”. Ou: “E porque de qualquer modo passam por eles como por coisas, têm de cantar. E então ouve-se ainda um belo cantar”.

Acredito que a voz do piano, o seu canto, nasce das mãos de quem o toca. Estas mãos que, sem parar, despertam as teclas.

Manuel Falcão
Março 2026

Agradecimentos:
Nuno Vieira de Almeida
Dalila Pinto de Almeida
Agostinho Gonçalves

Apoio
Black Box

Manuel Falcão iniciou-se no jornalismo pela fotografia e ao longo de duas décadas desenvolveu a sua carreira como repórter e redactor. Foi fundador do Blitz e de O Independente, trabalhou nas Agências Notícias de Portugal e Lusa, no Expresso, no Se7e e na Visão, entre outros. Realizou vários programas de rádio. Dirigiu as áreas de produção de TV e de novas edições da Valentim de Carvalho e foi director do canal 2: da RTP. Foi também Presidente do Instituto Português de Cinema, Director do Centro de Espectáculos do CCB e administrador da EGEAC. Durante 15 anos foi Director-Geral da agência de meios Nova Expressão. Em 2013 fundou a editora Amieira Livros, dedicada à fotografia, e em 2020 criou a SF Media onde desenvolve os seus projectos pessoais. É membro do colectivo fotográfico CC11 e nos últimos anos tem voltado a ficar a sua atenção na fotografia.