14 Março até 11 Abril
Nim. Teresa Castanheira
Matrizes
Exposições
Espaço Quadrado
A gravura como meio artístico da arte em papel e em concordância com a sua tradição foi um dos meios privilegiados para ilustrar as publicações científicas das mais variadas áreas do conhecimento em tempos que já lá vão.
Passível de poder representar algo de forma extremamente minuciosa, a gravura tornou-se uma continuidade da arte do desenho que dado o seu ponto de partida como técnica – o suporte de uma matriz – permitiu a desmultiplicação, ao longo de toda a sua história. De um simples esboço ao mais elaborado desenho, tanto “riscado” na madeira, como no metal ou na pedra, podemos ter centenas de trabalhos iguais.
O tempo perdido (ou ganho!) em torno de uma matriz cria uma relação de proximidade e quase de intimidade com a matéria plástica: numa manipulação constante vai-se construindo (ou desconstruindo!) obsessivamente a matriz que é depois passada ao papel. No caso presente corto, lixo, acidifico, viro e torno a virar, experimento cores, imprimo no papel com o auxílio da prensa de gravura e assim vou desenvolvendo uma ideia plástica. Terminado este ciclo o apelo do recomeço na elaboração de novo trabalho é inevitável... Restam as chapas, a meu ver, peças artísticas sem par, matéricas, orgânicas, oxidadas numa mistura de zinco e cobre onde a reflexão da luz na superfície espelhada é um contraponto mágico.
Paradoxalmente a presente exposição representa um ato de entrega e procura mas ao mesmo tempo de despreendimento pouco habitual na labuta de um gravador. As matrizes, os pontos de partida, são aqui transformadas em pontos de chegada como objectos próprios da minha criação artística: únicas, muito
diferentes dos seus sucedâneos em papel, tornam-se encantatórias pelo jogo de luminosidade que emanam, qual espelho baço envelhecido, numa sala onde a luz natural esmorece ao entardecer e que de cinzento vai adquirindo tonalidades alaranjadas. E o meu despreendimento enquanto artista é este: encaro a matriz como uma finalidade em si pela sua riqueza e validade plástica e não como um meio a preservar a desmultiplicação tão cara à arte da gravura. Aqui a linguagem matérica e gestual é todo um processo
de obtenção de outros resultados aplicados a esta técnica milenar.
Nim. Teresa Castanheira
Nim, nome artístico de Teresa Castanheira, pertence ao colectivo de artistas da Cooperativa / Galeria Diferença e tem participado, desde 1999, em exposições colectivas e individuais, tanto em Portugal (Galeria Diferença, SNBA, Galeria Novo Século, Galeria São Mamede e Bienais do Douro, Coruche e Montijo) como no estrangeiro (Barcelona, Paris e Macau). Tem obra editada pelo Centro Português de Serigrafia num conjunto de 26 gravuras editadas ao longo de vários anos (2024, 2019, 2017, 2015 e 2013). Licenciada em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa é professora de História da Música e História da Cultura e das Artes na Escola de Música do Conservatório Nacional. Colaborou em
vários meios de comunicação social – Antena 2, TSF e SIC –, com particular destaque no semanário Expresso, como crítica musical de 1998 a 2006.
Tem-se dedicado à divulgação da música e da pintura com a realização de cursos nas mais diversas instituições e empresas como Centro Nacional de Cultura, El Corte Inglés, Museu Nacional de Arte Antiga, Museu Paula Rego, Fundação Júlio Resende e Câmaras Municipais de Cascais, Oeiras, Vila Franca de Xira e Alpiarça.
Publicou os livros Cores & Sons, um Diálogo entre a Pintura e a Música do séc. XX pela Livros Horizonte (2015) e História da Música, uma Introdução numa parceria El Corte Inglés e Arranha-Céus Editora (2012).